sábado, 2 de junho de 2012

Um homem da Marinha - Capítulo II

"James sempre foi apaixonado por mim, mas eu sempre o desprezava. Por Deus, eu era uma garota de 16 anos e nunca tive mãe, não sabia nada da vida. Sempre esperei por um príncipe de cavalo branco por quem me apaixonaria e teria um casamento feliz e não um velho que tinha o dobro da minha idade, hahaha. Um dia soube que assim que ele fosse promovido a comodoro, pediria minha mão. Então dei um jeitinho de adiar a promoção e ele descobriu. Magoado, ele resolveu voltar à Inglaterra. Mais ou menos um ano se passou e lá estava ele de volta à Port Royal."

***

Era fim de tarde em Port Royal quando três embarcações da Marinha Real aportaram. Elizabeth estava na vila com sua dama de companhia – tinham ido olhar o mais novo empreendimento de seu pai, um empório que acabara de receber lindos trabalhos das bordadeiras do mosteiro – quando ouviu os murmúrios e a movimentação em direção ao porto. Curiosa, ela chamou a moça para ir dar uma olhada, mas Elena logo a lembrou de que o governador não queria que elas andassem sozinhas.

Ah Elena, você sempre estragando meus planos. Não gosta de aventura? Hã? – Disse sorrindo enquanto olhava um lindo vestido branco com bordados cor de alfazema.

Não é isso, senhorita... veja este combina seu tom de pele! – Elena mostrou um vestido pêssego com bordados florais alaranjados.

Acha mesmo? – Elizabeth pegou o vestido cuidadosamente e colocou frente ao corpo, olhando-se no espelho. – Este lugar será o maior sucesso, não acha? – Virou sorrindo para Elena enquanto colocava o vestido no lugar.

Impressionante... o mesmo sorriso adoravelmente bobo... 

Elizabeth virou-se para a entrada e logo o sorriso diminuiu, porém o manteve para ser educada.

James! 

Ele sorriu levemente, e olhou em volta.

Creio que seu pai tem muito motivo de orgulho, vejo que sua idéia deu certo. Parabéns!

Obrigada... mas não trabalhei nisto sozinha – Ela sorriu. – Mas me conte... o que o fez voltar? – Perguntou já com receio da resposta.

Bom, acompanhem-me até a mansão e contarei no caminho.

Seguiram de carruagem até a mansão. Poucas horas depois, estavam todos à mesa para o jantar: Elizabeth, James e o Governador. Havia porco assado e isso deixava o senhor Swann feliz. Elizabeth, como sempre, mantinha os mais finos modos.

Sr. Norrington, foi uma perda inestimável a sua partida. Eu e minha adorável filha sempre tivemos uma grande estima por você.

Elizabeth olhava meio torto para o pai e este perguntava-lhe:

Não é verdade, minha querida?

Oh, sim. Uma impressionante estima. – Debochava sem disfarçar, voltando a comer despreocupadamente. James ficava desconcertado.

O que isso, Elizabeth? Não é apropriado...

Não é apropriado mentir, meu pai. – Interrompeu – Não foi assim que me ensinou? – Sorriu sarcasticamente.

James achou melhor interromper.

O fato é que aqui estou, Sr. Swann. E venho em nome do rei. – Falou com voz autoritária.

A partir daí, apenas falaram sobre assuntos do Estado, o que começou a entediar Elizabeth. Toda aquela diplomacia não fazia o menor sentido para ela, aliás, fazia apenas um sentido: ambições. Parecia a ela que todas as leis só existiam para beneficiar a minoria que já tinha maiores benefícios e pouco importava se alguém ia à forca inocentemente. Amava seu pai, mas indignava-se com a maneira que ele deixava-se persuadir por homens ambiciosos como James Norrington. Tentava conversar com ele sobre o assunto várias vezes, mas ele sempre a tratava como criança inocente. “O que sabe sobre governança minha pequena?”. Isso a irritava tanto. Mas no fundo ela sabia que seu pai prezava os valores da lealdade, da palavra, do sentimento, algo que começava a tornar-se raro. Ele também sempre foi compreensivo para com ela, sempre a apoiou e nunca a obrigou a fazer nada contra a vontade, até mesmo quando o assunto é casamento... e casamento passou a ser o assunto da mesa agora.

Noivo? – O governador Weatherby sorriu e fez um pequeno gesto de comemoração. – Ah mas que boa notícia! Quem é a felizarda?

Elizabeth já pensava em retirar-se da mesa, mas com essa notícia bombástica decidiu ficar e ouvir. James parecia ter um olhar bobo, como quando dirigia-se a ela a um tempo atrás.

Sim, ela não só tem o mesmo nome que você como também parece muito, Elizabeth.

Não diga! – Mais uma vez, foi sarcástica. Mas logo interrompeu qualquer comentário, falando com sinceridade. – Mas então, fico mesmo feliz por você James! Vamos tomar um champagne e brindar!

O que é isso Elizabeth? Nada de bebida alcoólica para você! – Disse sorrindo o Sr. Swann. – Mas um brinde não é nada mal!

Elizabeth reclamou, mas aceitou brindar com refresco. Mal sabia o pai que ela havia experimentado rum com uma pirata. Riu-se, lembrando. O Sr. Swann estourou a champagne e todos brindaram sorrindo. Neste momento ouviu-se um estrondo alto, vindo do porto, que não ficava tão longe da mansão, a vila era pequena. Elizabeth reconheceu e logo assustou-se. Eram canhões. James e Weatherby entreolharam-se, o governador tinha um olhar mais assustado do que o de Elizabeth.

Ai meu Deus! Piratas! – Gritou ele.

Venham, rápido! – Chamou James, correndo com os dois para fora da mansão a fim de tomar a carruagem e levá-los com segurança para o Forte Charles. Entraram depressa na carruagem e seguiram pela vila, que já estava sendo tomada pelos piratas. Gritos, trincar de armas e tiros eram ouvidos. Elizabeth encolhia-se abraçando seu pai, apavorada. Uma explosão fez a carruagem virar. James e Elizabeth não se machucaram, mas o Sr. Swann estava desacordado e ela ao perceber desesperou-se.

Pai, papai acorda por favor!!!

Um pirata percebeu que se tratava da carruagem do governador e logo ouviu-a.

Companheiros, venham aqui! A filha do governador está aqui, olha que gracinha!

Arrr! – Três piratas vieram gritando e eles tiraram Elizabeth à força.

Não, não, não! Pai, pai!! – Gritava ela aos prantos.

James conseguiu se soltar dos destroços e sacou sua espada, atacando os piratas imediatamente. Empurrou o primeiro, golpeou o segundo e correu até os outros que estavam com Elizabeth até que um deles ameaçou-a com uma faca e James congelou. Este fugiu com a garota e os outros partiram pra cima do homem, que lutava heroicamente.


***



Elizabeth foi levada amordaçada e amarrada para o navio pirata. Não tinha sido fácil contê-la, e os piratas levaram vários pontapés, arranhões e mordidas no caminho. Ao sair no bote, viu o navio iluminado pela lua cheia e envolto por uma névoa. Quando chegaram perto, percebeu que o navio não só tinha as velas negras como todo ele era de madeira negra. Pérola Negra? Perguntou-se. Logo, embarcaram no navio.

Bem vindo ao Pérola Negra, gracinha... – Falou um dos que estavam subindo os botes. Ele era pavoroso, faltavam-lhe dentes e tinha os olhos tortos e medonhos!

Levem-na logo para a prisão! Depois veremos com o capitão o que faremos. – Disse outro, que parecia ter uma autoridade a mais.

Levaram-na imediatamente. Uma confusão se fazia no convés e o navio começava a zarpar. Elizabeth transformou o medo em excitação ao saber que estava no lendário Pérola Negra. Esquecia de que estava refém e tentava olhar curiosa tudo no navio, mas não dava certo. O pirata que a levava era grotesco e ameaçava batê-la a cada vez que tentava mover a cabeça para olhar algo. Ela então voltou a ter medo, não imaginava o que aquele homem poderia fazer com ela. Desceram até o porão dos prisioneiros e o homem a jogou em uma cela, trancando-a logo em seguida.

– Você tem sorte de estar em um navio sob o comando do Jack Sparrow, garota. – Disse passando o braço pela grade e arrancando a mordaça dela.

Sorte? Não considero um seqüestro como sorte! Muito menos tendo que aturar um pirata imundo como você! – Disse ela furiosa, encarando-o.

O pirata rapidamente segurou o pescoço dela, levantando-a.

Olha só... não tem noção do perigo. Tsc tsc... uma coisa tão bonita...

Solte-a. – Uma voz autoritária feminina o fazia parar. O pirata então olhou ameaçador e saiu.

Elizabeth colocava rapidamente a mão no pescoço, tossindo, e quando levantou o olhar para ver quem se aproximava não pôde deixar de ficar surpresa com o que vira.

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