segunda-feira, 28 de maio de 2012

Terras distantes - Capítulo VI

            "Despertei mas relutei em abrir os olhos. Minha mente fazia mais burburinhos do que as ondas do mar, que já alcançavam meus pés. Uma onda de pensamentos confusos, desconexos, me deixavam mais tonta. Não sabia onde estava, nem quem eu era naquele momento. Sentia frio, tremia de frio, isso me fez abrir os olhos e tudo que percebi foi, na direção do meu olhar, por trás dos montes difusos, o sol se pondo irradiando raios alaranjados que transformavam todo o resto abaixo dos céus em formas escuras: os montes aparentemente estéreis, as aves marinhas que dançavam no ar enquanto recolhiam-se para seus abrigos.
            Tentei me mover, mas foi em vão. Estava muito debilitada, meus lábios estavam  ressecados e o sal ardia em minha pele, os tímidos raios do sol passaram a incomodar e eu fechei os olhos. O vento tornava-se cada vez mais persistente e a temperatura começava a desabar. Tentei abrir os olhos novamente e tive vertigem, nauseas. Apesar da pouca lucidez, estava conformada de que aquele era o meu fim. Havia desmaiado novamente, eu creio, sentia que eu não passaria daquela noite apesar de ignorar que estava no litoral da Terra de Israel, onde o clima desértico proporcionava altas temperaturas de até 50° graus ao dia e até -5° à noite."

***
Quando Elizabeth acordou, sentiu que estava aquecida e aos poucos quando foi recobrando o juízo percebeu que estava nos braços de um estranho. Assustou-se de súbito, se afastando do homem que agora podia ver o rosto, iluminado pela luz brasante da fogueira. Ele permaneceu sentado onde estava, olhando-a feliz por ela ter acordado.

Boa noite senhorita... ─ E esboçou um sorriso encantador. Seus olhos negros eram intrigantes para a garota, mas de certa forma passava segurança.
─  Onde estamos? E... quem é você? ─ Perguntava ela, enquanto dava uma breve uma olhada em volta, percebendo que estavam em um tipo de barraca improvisada e voltou a olhar para ele.

Meu nome é Balian. E estamos a algumas léguas de Jerusalém, eu creio.  O que aconteceu? ─ Ele falava sempre com calma e gentileza. Buscou um cantil de água em uma bolsa velha, que parecia ser a única coisa que ele trazia consigo, e entregou para ela.
Obviamente ela ficou surpresa com a resposta. Havia notado um sotaque francês nas falas do rapaz, até aí tudo bem, mas Jerusalém era era muito mais longe do que imaginava poder estar. Apesar disto, apenas respondeu-lhe, sem mais esforços. Sua mente não poderia ficar mais confusa.
Houve um naufrágio... ─ Mantinha um olhar distante tentando recordar-se de como aconteceu. Segurou o cantil e percebeu que estava com muita sede, bebendo então toda a água.  ─ Desculpe... mas eu preciso encontrar o meu pai. ─ Elizabeth falava em um tom apreensivo, porém com certa firmeza. Começava a tremer de frio e trasparecia nitidamente a exaustão.

Por favor... deixe-me cuidar de você, depois eu a levarei onde quiser. ─ Ele aproximou-se e abraçou-a cuidadosamente, aquecendo os seus braços.

Ela não relutou. Achava estranho estar tão próxima dele, mal o conhecia e nenhum outro homem que não fosse o seu pai chegou tão perto. Entretanto, sentia-se confortável com o calor do corpo dele e se havia algum medo ou desconfiança os mesmos haviam se dissipado naquele momento. Encostou o rosto em seu ombro e ficaram assim até pegarem no sono.